Nas Tragadas do Palheiro

Jari Terres

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    Com a palha bem sovada
    E de faca bem afiada
    Pois então piquei um fumo,
    Misturei a figueirilha
    E findando esta encilha
    Um palheiro fiz a prumo.

    Quando o índio sai do catre
    É parceiro para o mate
    Neste rito galponeiro
    Muito embora sendo vício
    É comparsa deste ofício
    De um gaúcho, peão campeiro.

    Meu palheiro pede vaza
    Quando acendo pela brasa
    No tição da corunilha
    Num bailado então por graça
    Ganha formas a fumaça
    Numa nuvem andarilha.

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    E não mais que de vereda
    Contemplando a labareda
    Sinto a pua nesta hora
    Sem mostrar sua bondade
    Vem cortando uma saudade
    Pelo dente da espora.

    O palheiro vai queimando
    E a saudade vai chairando
    Dentro d'alma do peão
    Então a cada tragada
    Que se alonga a madrugada
    Amargando o chimarrão.

    Com palheiro entre os dedos
    Eu indago meus segredos
    Na fumaça que se espalha
    E pras baldas que são minhas
    Puxo a faca da bainha
    Pra sovar a outra palha.

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    Composition: Jari Terres Jr. and Rafael Teixeira Chiappetta

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