Tronco e Raízes de Uma Estirpe

Jayme Caetano Braun

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    Um tiro de boleadeira
    E um balaço de garrucha
    Moldou-se a raça gaúcha
    Desconfiada e caborteira
    Quando a lança carneadeira
    De taquara chamuscada
    Era estandarte e espada
    Antes que houvesse fronteira

    Já morria a Redução
    E a catequese do monge
    Que o pajé olhava de longe
    Rezando a contra-oração
    Para que um Deus de outro chão
    Não matasse o que existia
    Porque pra ele servia
    A primeira religião

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    Não conseguiram domá-lo
    Muito embora a cruz ficasse
    E desse embate sobrasse
    Um misto de touro e galo
    Por entre assobios de pealo
    De barbárie e de ternura
    Definindo uma cultura
    Sobre o lombo do cavalo

    E do berro desse touro
    Que repicava na Ibéria
    Correu o sangue na artéria
    Índio, pampa, luso e mouro
    Mistura de clin de couro
    Sem dono, sinal nem marca
    Que foi liberto de monarca
    Desde o primeiro namoro

    Qual o guasca que não venha
    Dessa raiz ancestral
    Que foi o ponto inicial
    Brasa da primeira lenha?
    A senha e a contra-senha
    De negro, de bugre e gringo
    Gaúcho de pampa e pingo
    Tenha a mistura que tenha!

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    Composition: Jayme Caetano Braun

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