O CUSCUZ DO DIA-A-DIA

Jessier Quirino

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    Em matéria de mei doido
    Eu me sinto mais ou menos
    Dei com as palavras no palco
    Feito um Biu de paletó
    Severino pra platéia.
    Usei palavras plebeias
    Que nunca puderam entrar
    Em discurso ou poesia.
    Palavras soltas, baldias
    Daquelas só disponíveis
    Nas últimas nuvens do céu.
    Conversei com flamboaiãs
    No puro flamboaianês.
    Despejei cachos de lágrimas
    Pros versos de Assaré.
    Beijos de rapadura
    Pro vozeirão de Luiz
    Sofri adivinhaduras
    No sertão do pensamento.
    Senti, naquele momento
    Que isso era um fazimento
    Democrático feito jeans.
    Sem rodeio e sem pantins
    Sem nhenhenhém, sem besteira
    Fiz de velhas cuscuzeiras
    Um gordo baú de flandre
    Forjado em Campina Grande
    Com três tons de serventia:
    Deixar minha poesia
    Meu verso e meu converseiro
    Com textura cor e cheiro
    Do cuscuz do dia-a-dia.

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    Composición: Jessier Quirino

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