Apelo Soneto da Separação

João Braga

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    Ah, meu amor não vás embora
    Vê a vida como chora
    Vê que triste esta canção
    Ah, eu te peço, não te ausentes
    Porque a dor que agora sentes
    Só se esquece no perdão

    Ah, minha amada me perdoa
    Pois embora ainda te doa
    A tristeza que causei
    Eu te suplico, não destruas
    Tantas coisas que são tuas
    Por um mal que já paguei

    Ah, meu amado se soubesses
    Da tristeza que há nas preces
    Que a chorar te faço eu
    Se tu soubesses, um momento
    Todo o arrependimento
    Como tudo entristeceu

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    Se tu soubesses como é triste
    Eu saber que tu partiste
    Sem sequer dizer adeus
    Ah, meu amor, tu voltarias
    E de novo cairias
    A chorar nos braços meus

    De repente, do riso fez-se o pranto
    Silencioso e branco como a bruma
    E das bocas unidas fez-se a espuma
    E das mãos espalmadas fez-se o espanto

    De repente, da calma fez-se o vento
    Que dos olhos desfez a última chama
    E da paixão fez-se o pressentimento
    E do momento imóvel fez-se o drama

    De repente, não mais que de repente
    Fez-se de triste o que se fez amante
    E de sózinho o que se fez contente

    Fez-se do amigo próximo, o distante
    Fez-se da vida uma aventura errante
    De repente, não mais que de repente

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