Tango do Cretino

João Dias

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    No tempo em que eu a tinha nos meus braços,
    Faminta de amor e de desejo,
    Eu pensava em partir, ela chorava,
    E eu lhe dava por esmola, mais um beijo.

    Não me abandones nunca, ela pedia,
    Sem o teu amor, não sou ninguém,
    Suplicava que eu ficasse, e eu ficava,
    Por piedade ou por fraqueza, não sei bem.

    De joelhos, aos meus pés ela chorava,
    Quando eu tentava partir, num outro ensejo,
    E eu na minha vaidade de cretino,
    Esbanjava por esmola, mais um beijo.

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    Um dia a encontrei tão diferente,
    Um dia vi morrer o seu desejo,
    Cretino, implorei covardemente,
    Que me desse a esmola do seu beijo.

    De joelhos, aos meus pés ela chorava,
    Quando eu tentava partir, num outro ensejo,
    E eu na minha vaidade de cretino,
    Esbanjava por esmola, mais um beijo.

    Um dia a encontrei tão diferente,
    Um dia vi morrer o seu desejo,
    Cretino, implorei covardemente,
    Que me desse a esmola do seu beijo....

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