Olê, Olá

João Nogueira

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    Não chore ainda não, que eu tenho um violão
    E nós vamos cantar
    Felicidade aqui pode passar e ouvir
    E se ela for de samba há de querer ficar
    Seu padre toca o sino que é pra todo mundo saber
    Que a noite é criança, que o samba é menino
    Que a dor é tão velha que pode morrer
    Olê, olê, olê, olá
    Tem samba de sobra, quem sabe sambar
    Que entre na roda, que mostre o gingado
    Mas muito cuidado, não vale chorar

    Não chore ainda não, que eu tenho uma razão
    Pra você não chorar
    Amiga, me perdoa, se eu insisto à toa
    Mas a vida é boa para quem cantar
    Meu pinho, toca forte que é pra todo mundo acordar
    Não fale da vida, nem fale da morte
    Tem dó da menina, não deixa chorar
    Olê, olê, olê, olá
    Tem samba de sobra, quem sabe sambar
    Que entre na roda, que mostre o gingado
    Mas muito cuidado, não vale chorar

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    Não chore ainda não, que eu tenho a impressão
    Que o samba vem aí
    É um samba tão imenso que eu às vezes penso
    Que o próprio tempo vai parar pra ouvir
    Luar, espere um pouco, que é pra o meu samba poder chegar
    Eu sei que o violão está fraco, está rouco
    Mas a minha voz não cansou de chamar
    Olê, olê, olê, olá
    Tem samba de sobra, ninguém quer sambar
    Não há mais quem cante, nem há mais lugar
    O sol chegou antes do samba chegar
    Quem passa nem liga, já vai trabalhar
    E você, minha amiga, já pode chorar

    Información de la canción

    Composición: Chico Buarque

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