Canção do Bacamarte

João Pirambu

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    Eu era um índio vaqueiro
    Nas ribeiras do sertão
    Com o gado na restinga
    Pastorando a caatinga
    Bebendo do ribeirão
    Tinha o meu trajo de couro
    Minha rede de algodão
    Quando as gentes abastadas
    Quis mudar a charqueada
    Coivarando o sertão

    Quando o sangue bandoleiro
    De mestiço cangaceiro
    Emprestou seu braço forte
    À canção do bacamarte
    Que edifica como a arte
    Ou põe tudo pelo chão

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    Eu era o punhal de Filgueiras
    Ou a espada de Tristão
    Bem mais triste a paisagem
    Que deixa na orfandade
    Os filhos da insolação
    Matou gado, matou gente
    Não deixou nada no chão
    Mas a gente é macambira
    Mulungu, corda de embira
    Carnaúba e algodão

    Foi que teve um juazeiro
    Bem no ‘mei’ do espinheiro
    Que deu sombra, água e pão
    Nos levando além da morte
    Pela graça e para a sorte
    De Padim Ciço Romão.

    Song details

    Composition: Johnson Soarez and João Pirambu

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