Cano D'Água

José Fortuna

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    Meu cano d´agua
    Água da estrada
    Onde eu matava
    A sede da minha boiada

    Enquanto o gado descansava ruminando
    No descampado entre os pés de colonião
    Com a água fresca eu tirava de meu rosto
    O pó vermelho que apanhei pelo sertão
    O vento calmo balançava a mata verde
    Num galho seco um gavião se espreguiçava
    Eu não podia imaginar que ali no cano
    Todas as marcas do passado me esperavam

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    Olhando a água a escorrer do cano d´agua
    Me vem da infância a saudade de outro cano
    Antes que o tempo no caminho do destino
    Enfileirasse a boiada de meus anos
    É aquele cano de água fria barulhando
    Onde mamãe lavava as roupas das crianças
    Hoje a menina de meus olhos é banhada
    Pelo meu pranto na enxurrada da lembrança

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