Gauderio

José Mendes

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    O índio pra ser gaudério tem que ter a vida alerta
    No momento de perigo dá um jeitinho e não se aperta
    Anda de pago em pago e não tem morada certa
    O rio grande é tua cama e o luar tua coberta

    Sempre tem uma chinoca para lhe fazer afago
    Eu que não deixa levar um viver de uma índio vago
    São as coisas de antanho que no pensamento trago
    Canha, mulher e gaita, e o encanto do meu pago

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    Para afugentar a saudade a minha ideia eu destampo
    E saio longe de mim, num cerro alto me acampo
    Solito dentro da noite contemplando os pirilampos
    Que brincam de iluminar o pano verde do campo

    Sou assim como o minuano gaudério por excelência
    E na invernada dos anos vai morrendo a resistência
    E na tropeada da vida não maltrato minha consciência
    Quero morrer com a honra de um gaudério da querência

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    Composition: Antoninho Duarte and Luiz Muller

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