Tango do Antigamente

JP Simões

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    Eu nunca suspirei
    Nunca te adorei
    Eu nunca quis saber
    Eu nunca te quis bem
    Eu fingi ter prazer, gritei, pus-me a gemer
    Mas nunca desliguei pensei sempre em sair
    Fugir, ir-me encontrar com estranhos nalgum bar
    Gozar, rir-me de ti.

    Agora ele:
    Eu nunca suspirei
    Nunca te adorei
    Eu nunca quis saber
    Eu nunca te quis bem
    Mais que a um saco de prazer
    Um bicho de salão com modos de pavão.
    Pensei em passear-te por galerias de arte
    Na trela como um cão.
    Um vício um precipício - cio.

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    Foi tanta porcaria tornou-se natural
    E por toda a cidade fez-se prática normal
    Falar dos velhos tempos com grande exaltação
    Encher de fancarias a má decoração
    Tantos verões de amor azul como na televisão

    Eu era uma princesa actriz.
    Eu era um rei feliz.

    Mente ao antigamente mente
    Contente e constantemente
    como antigamente.

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