Tordilho Negro

Juliano Cezar

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    Correu notícias de um gaúcho
    Lá da estância do paredão
    Tinha um cavalo tordilho negro
    Foi mal domado ficou redomão
    Este gaúcho dono do pingo
    Desafiava qualquer peão
    Dava o tordilho negro de presente
    Pra quem montasse sem cair no chão
    Eu fui criado na lida de campo
    Não acredito em assombração
    Fui na estância topar o desafio
    Correu boato na população

    Foi um domingo clareava o dia
    Puxei o pingo e o povo reuniu
    Joguei os trastes no lombo do taura
    Murchou a orelha tive um arrepio
    Botei a ponta da bota no estribo
    Alguns gaiatos por perto sorriu
    Ainda disseram comigo eram oito
    Que boleou a perna montou e caiu
    Saltei do lombo e gritei pro povo
    Este será o último desafio
    Tordilho negro berrava na espora
    Por vinte horas ninguém mais nos viu

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    Mais de uma légua o pingo corcoveou
    Manchou de sangue a espora prateada
    Anoiteceu o povo pelo campo
    Procurando um morto pela invernada
    Compraram vela fizeram um caixão
    A minha alma estava encomendada
    A meia noite mais de mil pessoas
    Desistiu da busca desacorçoada
    Daqui a pouco ouviram um tropel
    Olharam o campo noite enluarada
    Eu vinha vindo no tordilho negro
    Feliz saboreando a marcha troteada

    Bolhei a perna na frente do povo
    Deixei as rédeas arrastar no capim
    Banhado em suor o tordilho negro
    Ficou pastando em roda de mim
    Tinha uma prenda no meio do povo
    Muito gaúcha eu falei assim
    Venha provar a marcha do tordilho
    Faça o favor e monte de selim
    Andou no pingo mais de meia hora
    Deu-me uma rosa lá do seu jardim
    Levei pra casa o meu tordilho negro
    É mais uma história que chega no fim

    Información de la canción

    Composición: Teixeirinha

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