Valéria

KElen

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    Estava ela em completa aquiescência
    Do momento em que tudo se revela
    Como um quadro mórbido
    De tinta vermelha, tirada dos pulsos
    Que escorre e pinta o chão
    Sem compaixão

    E, ao deflagrar a dor, não sentiu medo
    Não sentiu amor, tampouco pensou
    Em cercear seu sofrimento
    Era, naquele instante, libertação
    A mais absurda forma de paz

    Incólume a tudo, em seu ato indelével
    Sentiu um frio imenso, ou seria um calor absurdo?
    Mas não importava mais
    Pois era um momento de paz

    Seu corpo em altercação
    Com seus próprios sentidos
    Uma vontade súbita de recuar, ou era tarde?
    Talvez alguém ainda aparecesse
    Mas o tempo, o tempo já não era seu

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    E quantas Clarisses
    E agora, Valérias
    E amanhã quantas outras
    Escutando o pêndulo do relógio
    Ou a ampulheta fiel ao tempo
    Desvaindo em seus próprios segundos
    Das quais já não têm tempo algum

    A pungência que lhe tomava era sua respiração
    Ofegante, áspera, sem retorno
    Era o seu momento final
    Seu último ato, solitário, invisível

    E quantas Clarisses
    E agora, Valérias
    E amanhã quantas outras
    Vão sufocar em silêncio
    Vão morrer sem que ninguém
    As ouçam ou entendam

    E elas irão se matar
    E elas irão se matar
    E elas irão se matar
    Sem ninguém pra ajudar

    Sem ninguém pra ajudar
    Sem ninguém pra escutar
    Sem ninguém, pra escutar

    Información de la canción

    Composición: Marcio Dias'Reis

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