Adeus Ao Mundo 6

Laurindo Rabelo

    Continues after the ad

    VI
    Já sinto da geada dos sepulcros
    O pavoroso frio enregelar-me...
    A campa vejo aberta, e lá do fundo
    Um esqueleto em pé vejo a acenar-me...
    Entremos. Deve haver nestes lugares
    Mudança grave na mundana sorte;
    Quem sempre a morte achou no lar da vida
    Deve a vida encontrar no lar da morte.
    Vamos. Adeus, ó mãe, irmãos, e amigos!
    Adeus, terra, adeus, mares, adeus, céus!...
    Adeus, que vou viagem de finados...
    Adeus... adeus... adeus!
    Adeus, ó sol que, amigo iluminaste
    Meu pobre berço com os raios teus...
    Ilumina-me agora a sepultura: -
    Adeus, meu sol, adeus!
    Florezinhas, que quando era menino
    Tanto servistes aos brinquedos meus,
    Vegetai, vegetai-me sobre a campa: -
    Adeus, flores, adeus!
    Vós, cujo canto tanto me encantava,
    Da madrugada alígeros orfeus,
    Uma nênia cantai-me ao pôr da tarde:
    Passarinhos, adeus!
    Vamos. Adeus ó mãe, irmãos, e amigos!
    Adeus, terra, adeus, mares, adeus, céus!...
    Adeus: que vou viagem de finados!...
    Adeus!... adeus!... adeus!

    Continues after the ad
    Song details

    Composition:

    Did you see an error?

    Enviar revisão