Sal Na Garganta

Léafar Chiaro

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    Onde o horizonte se dobra em cinza
    Há uma pedra que jamais se desliza
    Não é o peso do mineral, nem do limo
    Mas do corpo que espera o mar como destino
    Enquanto homens lavam as mãos na espuma
    Chamavam a covardia de, vontade que consuma
    A lógica era um nó cego, um devotado enredo
    Se as águas te pouparem, és milagre, segredo
    Se as águas te tomarem eras mácula e dor
    E assim o mundo se absolvia do teu terror
    O frio sobe pelas canelas, o sal invade o ar
    E a Lua faz o serviço que o homem não quer pagar
    Os séculos mudaram a face do carrasco
    Mas o nó permanece, firme no seu espaço
    A maré agora não é mais feita de água
    É feita de asfalto, de silêncio e mágoa
    Do vácuo entre a janela e o chão
    Da escuridão à beira do portão
    Onde a infância morre em qualquer canto
    Sem aprender da vida o seu encanto

    Ontem, a pedra de afogamento
    Hoje, por que ela estava lá? É o tormento
    Ontem, o julgamento das águas
    Hoje, vestes, rotas e risos nas mágoas

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    A mão que amarrava a corda na maré baixa
    É a mesma que hoje silencia e desvia a faixa
    Apaga o rastro e diz que ela sumiu
    Como se mulheres fossem fumaça e não grito que fluiu
    E o busto de pedra continua ouvindo o mar rugir
    Observando o vaivém sem jamais fugir
    O ódio não envelhece apenas muda de tom
    Enquanto o mundo espera Deus fugindo do que é som

    Ontem, a pedra de afogamento
    Hoje, por que ela estava lá? É o tormento
    Ontem, o julgamento das águas
    Hoje, vestes, rotas e risos nas mágoas
    O ódio não envelhece, apenas muda de tom
    Enquanto o mundo espera Deus, fugindo do que é som–

    Onde o horizonte
    Se dobra
    Em cinza

    Información de la canción

    Composición: Rafael Silveira Chiaro

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