No Cabaré da Última Rua

LEANDRO LSR

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    Ele vinha sempre tarde, depois do silêncio do mundo
    Sabe aquele tipo de homem que já desistiu de pedir desculpas?
    Sentava no canto, sem pressa, como quem espera o passado voltar
    Trazia nos olhos mais perguntas que vontade

    Falava pouco, mas doía muito
    E quando falava, era comigo – mesmo que fosse só pra dentro
    Dizia que gostava da minha voz
    Porque ela não pedia nada em troca

    A gente se encontrava ali, sem agenda
    Um copo na mesa, dois corações improvisados
    Ele dizia que não teve sorte, nem herdeiro
    E quando o menino nasceu, me olhou diferente

    Não perguntou de onde vinha
    Só perguntou se precisava de nome
    Eu calei
    Ele entendeu

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    No cabaré da última rua
    Ninguém espera a verdade
    Só que ela veio, mesmo sem convite
    Na forma de um abraço, de um silêncio aceito

    Ele não precisava de um exame
    Só de um motivo pra ficar

    Mas ele dizia que o menino tinha meu sorriso
    Como se amar bastasse pra resolver o mundo
    E ali, pela primeira vez, quase resolveu

    No fim, ele foi parar num lugar que cheira a fim
    Asilo tem cheiro de esquecimento
    E lá, o nome do meu filho apareceu
    Sem sangue, sem parente – só presença

    No cabaré da última rua
    Ele encontrou algo que nunca teve
    Um filho que não era
    Mas foi

    E quando os outros vieram contar moedas
    Meu menino já carregava o que era mais caro
    O último olhar daquele velho
    Que nunca precisou provar que amou

    Información de la canción

    Composición: Leandro Suarez Rodriguez

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