Neblinas e Flâmulas

Leila Pinheiro

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    Vivemos de olhares
    em todos os lugares
    e a gentileza em nós
    nos faz heróis covardes
    dois bichos desejando
    em jaulas diferentes
    num cio infindo atrás de grades
    e a possibilidade
    de gozo e de saudade
    floresce sem dar fruto
    e o luto sem saída
    da hora não-vivida
    é bem pior pro coração
    que a despedida.
    Entre a neblina ouvimos
    o som dos nossos sinos
    e ansiamos nos tocar:
    os olhos criam luzes.
    Cada encontro
    os teus olhos barcos pedem aos meus um cais.
    Nas noites estreladas com velas desfraldadas
    vejo você se aproximar
    e os olhos brilham:
    acendo a minha quilha,
    enfeito toda a ilha
    pra esse encontro imorredouro
    e no ancoradouro
    as flâmulas que aceno
    se cobrem de sereno:
    são lágrimas choradas
    em cada madrugada...
    quem viu o amor renunciar ao desvario?
    Mas, no fim da viagem,
    na hora da abordagem,
    sinto você se desviar...
    Netuno sopra as luzes.
    Fim do encontro:
    os teus olhos barcos gritam adeus no mar dos meus.

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    Información de la canción

    Composición: Aldir Blanc

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