Poente da Vida

Leonel e Goiá Filho

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    Amigo, escuta com calma
    A minha pobre canção
    Que traz lembranças da alma
    Guardadas no coração
    Há quase dezoito anos
    Um sertanejo menino
    Partiu seguindo o destino
    Buscando uma ilusão
    Só muito tarde entendeu
    Que a sua felicidade
    Era viver de saudade
    Do seu amado sertão

    Marcado pela tristeza
    Desesperado e aflito
    Fez versos à natureza
    E àquele solo bendito
    Às matas, campos e lagos
    Encantos de uma terra
    Citou o alto da serra
    No amanhecer mais bonito
    O astro rei majestoso
    Pela manhã colorida
    Pintando o quadro da vida
    Na tela do infinito

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    Que vida mais cor-de-rosa
    A sorte deixou perdida
    Na estradinha mimosa
    De minha infância querida
    Porque sou eu o caboclo
    Que por missão ou vaidade
    Deixou a felicidade
    Na terra nunca esquecida
    Quis o destino mandar-me
    Sentir na grande cidade
    O alvorecer da saudade
    Já no poente da vida

    Voltar não pude, é verdade
    À terra dos madrigais
    Pra não morrer de saudade
    Com a falta dos velhos pais
    E hoje um tanto alquebrado
    Pelas agruras da sorte
    Espero antes da morte
    Nos meus instantes finais
    Que Deus permita que eu sonhe
    Com aqueles campos de flores
    Da terra dos meus amores
    Que não verei nunca mais

    Información de la canción

    Composición: Goia

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