Canção do Primeiro Tempo

Luis H. Rocha

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    No silêncio da mata fechada
    Ouviu-se o som de um cantar
    Um homem de mão calejada
    Trazia coragem no olhar

    Tinha vindo de longe
    Com a fé presa ao peito
    Trazia a saudade na mala
    E um sonho desfeito no leito

    Na enxada nasceu a esperança
    No machado, o pão de amanhã
    Cada tronco tombado era dança
    No salão da floresta pagã

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    A serra, que antes dormia
    Regada com todo o suor
    Do imigrante italiano
    Fez-se canto e fez-se flor

    A mulher vinha ao seu lado
    Com trabalho, esperança e a cruz
    Fez do lar seu canto sagrado
    Reacendendo no breu uma luz

    Na enxada nasceu a esperança
    No machado, o pão de amanhã
    Cada tronco tombado era dança
    No salão da floresta cristã

    Hoje a videira floresce
    O progresso se faz escutar
    Uma voz antiga no vento
    Que ainda insiste em cantar

    Meu nome ninguém sabe inteiro
    Sou de todos, sou sem distinção
    Sou o rosto do tempo primeiro
    Sou raiz, sou rocha, sou pão

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