Inventario

Luis Pastor

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    De que sedas se fizeram os teus dedos
    De que marfim as tuas coxas lisas,
    De que alturas chegou ao teu andar
    A graça de camurça com que pisas.
    De que amoras maduras se espremeu
    O gosto acidulado do teu seio,
    De que índias o bambú da tua cinta
    O oiro dos teus olhos, donde veio.
    A que balanço de onda vais buscar
    A linha serpentina dos quadris,
    Onde nace a frescura dessa fonte
    Que sai da tua boca quando ris.
    De que bosques marinhos se soltou
    A folha de coral das tuas portas,
    Que perfume te anuncia quando vens
    Cercar-me de desejo a horas mortas.

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