Há Muito Tempo é Assim

Luiz Carlos Borges

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    Quem me vê fazendo frete
    Neste arrabalde sem fim
    Picaneando um mouro magro
    Pisado dos balancins
    Não diz que eu fui fazendeiro
    Que eu tive sebo no rim
    E esta história que hoje conto
    Que é minha e de tantos outros
    É mais ou menos assim

    Tive um rebanho merino
    Que o velo era um camoatim
    Usava carneiro fino
    Num campo que era um jardim
    A lã pegou a valer pouco
    O povo só usa brim
    Começou a escassear minha renda
    Fui despovoando a fazenda
    Taí o início do fim

    Meu gado que eu cuidei tanto
    Deu lucro mas não pra mim
    Vendi mas não me pagaram
    Processei uns "graxaim"
    O que eu não tinha vendido
    O advogado deu fim
    Ficou vazia a fazenda
    Tem dor que não se remenda
    E é dessas que dói em mim

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    Meu mouro marca de fisga
    Deus não fabrica outro assim
    Cogote de ganso macho
    "Zoreia" de graxaim
    Pra não vender pro salame
    Veio também quando eu vim
    Foi pra charrete meu mouro
    Que antes pechava touro
    Por cima dos "alecrim"

    E a mão pra vir pra miséria
    O governo deu pra mim
    Prometeu financiamento
    Com um jurinho chinfrim
    Virei meus campos de arado
    Plantei milho e amendoim
    A seca ajudou o banco
    O banco ficou com o campo
    E a vila ficou pra mim

    Só conto pra que conclua
    Que quem produz tá na pua
    E há muito tempo é assim!

    Información de la canción

    Composición: Luiz Carlos Borges y Mauro Ferreira

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