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    Maria Loca morava num rancho
    Cuidado por Deus e um casal de tajã
    Vivia solita domando a potrada
    Da estância escorada no rio Camaquã

    Diziam que a Loca falava co's bicho
    E botava feitiço em quem fosse haragano
    Rezava baixinho no ouvido do potro
    E dum dia pra outro, no más, tava manso

    Eu era moço e não era assustado
    Juntava meu gado e topei com a Loca
    Domando um rosilho de cacho quebrado
    Que vinha assombrado sem nada na boca

    Sorriu pra mim e olhou pro seu rancho
    Foi pior que um quebranto o convite da Loca
    Voltei pro meu posto tropeando um desejo
    Com gosto de beijo passeando na boca

    Maria Loca, Maria domera
    Que em toda fronteira ficou conhecida
    Se eu conto tua história periga a verdade
    Se eu conto a verdade ninguém acredita

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    Maria Loca, Maria gaúcha
    Com partes de bruxa e de moça bonita
    A pele morena no corpo delgado
    E os olhos gateados de jaguatirica

    Muitos contavam que todo paisano
    Que fosse encantado por esse sorriso
    E atasse o cavalo na frente do rancho
    Sumia pra sempre ou perdia o juízo

    Eu era moço e não era assustado
    Mas tava ajustado no posto do fundo
    Tocava meu gado e mi'a vida pra diante
    E gostava bastante de andar nesse mundo

    Chegou a noite e armei o meu plano
    Montei meu ruano com claros de Lua
    A rédea bancava com medo da Loca
    E a bota esporeava pra ver a xirua

    Ainda hoje pergunto o motivo
    Que firme no estribo esbarrei no seu rancho
    E a força da rédea venceu as esporas
    Voltei campo afora chorando, chorando

    Maria Loca, Maria domera
    Do rancho, tapera, se foi no outro dia
    Levando pra longe seu doce mistério
    Deixando um gaudério co'a vida vazia

    Maria Loca, Maria gaúcha
    Com partes de bruxa e com fama de louca
    A andar pelo mundo mascando a saudade
    Mil vezes morrer com teu gosto na boca

    A pele morena no corpo delgado
    Os olhos gateados de jaguatirica
    Levando pra longe seu doce mistério
    Deixando um gaudério co'a vida vazia

    Seu eu conto tua história periga a verdade
    Se eu conto a verdade ninguém acredita!

    Información de la canción

    Composición: Luiz Carlos Borges y Mauro Ferreira

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