Sertão Sofredor

Luiz Gonzaga

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    - Falando:
    Ah, meu sertão véio sofredô! Terrazinha pesada da gota! Terra mole, vote...
    Quando chove lá, chove prá derreter tudo. A terra vira lama, a cheia acaba com os pobres, açudão pro mundo...Aquilo num é nem chuva, é dilúvio! E quando não chove é mais pior meu chefe! É o verão brabo! Torrando tudo, lascando, acabando com o que era verde! Home... Pulo verão no meu sertão, de verde só fica mermo pano de bilhar, óculo reiban e pena de papagaio! É um desadouro meu chefe!
    Ah, Sertão Veio sofredor!
    Inté Paulo Afonso, que era a redenção do Nordeste, virou coisa de luxo. Só está servindo móde iluminar as cidade grande.
    Cadê as fábrica?
    Cadê as industria?
    Cadê as coisa boa anunciada pro Nordeste?
    E se vier outra seca lascada?
    Ah! Ah! È uma praga meu chefe...
    Ah! Sertãzinho sofredor...
    É por isso que eu canto:
    Posso falar? - Pode...
    -Cantando: Quero falar
    Do meu sertão
    Meu sertãozinho
    Desprezado como o que
    Peço a atenção
    De toda gente
    Prá minha terra
    Terra do meu bem querer

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    Matéria-prima
    Tudo temos de primeira, sim
    Valor humano
    Gente honesta e ordeira também
    O que nos falta então
    É uma ajuda leal
    Do grande chefe
    Do governo Federal
    Pois é...

    Song details

    Composition: Joaquim Augusto De Almeida and Nelson Barbalho De Siqueira

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