Retirada (Canto Para Macau)

Lunno

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    Eu venho do brilho mais forte do sol
    Da falta do verde, da sede do chão
    Dos campos de fogo bem atrás dos quintais

    Mas venho do branco sagrado do sal
    Dos velhos moinhos que não giram mais
    Das dunas, salinas bem atrás dos quintais

    Eu venho de lá do oco do mundo
    Onde dorme o trovão em silêncio Profundo
    E o vento levanta a poeira do chão

    Maravilha, ilha branca, peixe no anzol
    Lá o sol queima o mar e prepara o sal
    O inverno termina e começa o sertão

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    Lá é norte, onde a seca impera castigante
    E a única água que corre abundante
    É da fonte que jorra dos olhos do seu povo

    Mas nada na vida, nada é eterno
    Um dia quem sabe por lá é inverno?
    E meu norte é verde, é vida de novo

    Companheiro meu, desculpe hoje eu vou sozinho
    Vou correr o mundo, vou seguir caminho
    E só paro onde o coração mandar

    Corre trem do meu destino que a vida é curta
    Voa, vai ligeira, sempre tá com pressa
    Nunca faz parada em nenhum lugar

    E gira sol perdeu a cor
    Desbotou, não gira mais
    E gira o sol

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