Dignidade

Mac Júlia

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    O que mais me incomoda é ser tratada com inferioridade, como se fosse vergonhoso ser mãe solteira!
    Porque o mais difícil é conciliar, ou eu trabalho pra sustentar ou eu sou presente na vida dele, é muito difícil!

    Dificuldade a espero como a vida aguarda a morte
    Aceito minhas consequências, cabeça erguida rumo ao norte
    Não envolvo a justiça, minha luta já é justa
    Cê não tem nada a oferece, nem sabe o que que é vida adulta
    Ser mãe é dadiva, responsa bruta, e os cara some
    Desafio é criar menino pra crescer e virar homem
    Saudade eu te matei de fome quando eu senti na pele
    Que acabou a infância, mas a minha mãe fez jus ao nome
    Pagar pensão sempre foi obrigação
    Disse que eu sou ingrata
    Que nunca me faltou nada
    Só carinho e educação

    Fugi disso a vida inteira, estudei sobre joias raras
    E percebi que meu pai tava em todos caras
    Relações aprofundadas sobre quem é desapegado
    Com o desamor, que comigo foi praticado
    E aí
    São reflexos de vida inteira
    É criação passos rasos de vivencia
    Tecidos em fios de precisão

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    Nem sabia porque ele não vinha
    Só via toda vez minha cara no chão
    Eu achava que a culpa era minha
    Sem nunca ter experiencia de combate
    Nas tardes que ele faltava
    Dia dos pais eu tava lá pra homenagem
    Eu cresci forte e corajosa
    Revoltada e perigosa
    Filha de uma mãe solteira
    Sofrida levou nas costas

    Sempre batalhadora
    Sofreu calada e sem miseria
    Me tirou da plateia e me fez assinuosa
    Hoje eu sinto em minha costela
    O arrepio e o bicudo
    Não entendia e agora entendo
    O quanto somos corruptos
    Medo de transpassar, a dor pro meu fruto
    Sentimento fajuto, não vou de covardia
    Não vou passar a mesma história pra minha cria

    Suas soluções rasas, sociedade de problemas a fundo
    Mundo redondo pra quem muito fala, discordia e tumulto
    Caminho sempre a frente onde a gelada me guia
    Reconheça e diferencie, gratidão e simpatia
    Nós entra e sai de qualquer canto curtindo a reveria
    Visando os corre e as responsa firme e forte na guerrilha
    Pois melhor que sarrar é ralar todo dia
    Afinal baile sempre é bom
    Mas não enche sua barriga

    Não sabe da luta
    Não fala da puta
    Não encosta na minhas tia
    Sem papo é labuta
    Seu filho da luta
    Que desmerece a corrida
    Mamães no topo
    Sabe que é pouco
    É alimento pras cria
    Pra quem passa sufoco
    A vida da troco
    Vingança vinda da vida
    Fala mal da mulherada
    Mas a mãe e uma rainha
    Meça suas palavras parça
    Nos trampa bem menininha

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