A Maldade

Mão Morta

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    Deve-se deixar crescer as unhas durante quinze dias.
    Oh como é doce arrancar brutalmente da cama uma criança que nada tem ainda sobre o lábio superior e, com os olhos bem abertos, fingir que se lhe passa suavemente a mão na testa, inclinando-lhe para trás os seus lindos cabelos.
    Depois, de repente, no momento em que ela menos espera, enterrar-lhe as unhas compridas no peito mole, de modo a que não morra!
    Porque se morresse, não teríamos mais tarde o espectáculo das suas misérias!...
    Seguidamente, bebe-se o sangue lambendo as feridas.
    E durante esse tempo, que devia durar tanto quanto dura a eternidade, a criança chora!
    Nada é tão bom como o seu sangue, extraído como acabo de dizer, e ainda bem quentinho, a não ser as suas lágrimas, amargas como sal.
    Homem, nunca provaste do teu sangue quando por acaso te cortaste num dedo? É bom não é? Porque não tem gosto nenhum.

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