Pão E Circo

Marcelo Junckes

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    Quem escreve as letras dessa poesia podre
    Dia a dia a hipocrisia vem seduzir o teu bom senso.

    Quem escreve as letras desse discurso inalterado
    E arrasta o que se move, disfarçando o céu de inferno

    Hei malandragem! Qual o teu preço em tempos ruins?

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    Não me convenceram com algumas verdades de origem duvidosa
    E nem se quer me convidaram pra ser herói de um belo filme de terror
    Ainda a pouco descobri que as fadas tinham
    A inocência um tanto quanto perigosa
    E que os valores pouco a pouco se coroem na acidez de algo vulgar

    Eu sou um mero errante ando por bares onde as luzes me confundem onde as pessoas se encontram pra fazerem previsões
    A cidade encobre os defeitos e mendigos enfeitam as ruas e debatem
    Preconceitos suas causas e curas

    Temos de sobra o que não podes comprar
    Tenho um segredo que todos já sabem
    Eu tenho um livro que não conta o final

    Mas ao invés de seguir o suicídio coletivo dos meus ídolos
    Usarei meus miolos primitivos dilatados
    Pra cultivar algo superficial que embaralhe e confunda
    Minhas únicas certezas
    E esquecer que vivemos só de restos
    E que somos o pilar que sustenta a corrosão

    Ah! Eles nunca vão saber que essa canção
    Eu compus na meia luz da poltrona de um convencional
    Voltando da desgraça pra monotonia.

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    Composición: Marcelo Junckes

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