Amigo de Infância

Marcelo Oliveira

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    Eu aprendi a encilhar com meu pai pondo o buçal
    Apertando bem a cincha depois largando pra mim
    De esporinhas sonoras iguais as da gente grande
    Que se arrastam nas pedras lá do chão de onde vim

    Devia ter ido mais nas manhãs de campereadas
    Ouvido mais as histórias contadas pelos galpões
    Aproveitado meu tempo de guri sem muita pressa
    Desafiando o silêncio das sestas e orações

    E foram dias lindaços que nunca mais vão voltar
    Amizade de criança que aos poucos é concedida
    Rigidez quando é preciso larguezas em campo aberto
    E uma paciência de pai que compreendemos com a vida

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    Foram tardes de brinquedo, serviços banhos de arroio
    Convivencia de silêncios e palavras por dizer
    Eu tive amigos na vida que se perderam eternos
    E amizades que o tempo nunca mais vai desfazer

    Quantos "nãos" tive na vida pra ter um "sim" bem medido
    Quantos erros e acertos dividimos nós os dois
    O tempo não nos explica o amor sem ser amado
    Que não devíamos nunca deixar tanto pra depois

    E foram tarde de campo estendendo olhares longe
    Que sem saber aprendia a ser o homem que sou
    Hoje encilho aperto a cincha com mais confiança no braço
    Por saber que os meus cavalos me trouxeram aonde estou

    Como voltar a esse tempo se não for com outra infância?
    Os que agora me seguem e ouvem histórias comigo
    Como esquecer os meus olhos atentos aos do meu pai
    Agradecendo em silêncio por ser meu melhor amigo

    Información de la canción

    Composición: Gujo Teixeira

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