Falso Brilhante

Maria Creuza

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    O amor
    é um falso brilhante.
    O amor
    é um disparate.
    Na mala do mascate
    macacos tocam tambor.
    O amor
    é um mascarado:
    a patada da fera
    na cara do domador.
    O amor
    sempre foi o causador
    da queda da trapezista
    pelo motociclista
    do globo da morte.
    O amor é de morte.
    Faz a odalisca atear fogo às vestes
    e o dominó beber água-raz.
    O amor é demais.
    Me fez pintar os cabelos,
    me fez dobrar os joelhos,
    me faz tirar coelhos
    da cartola surrada da esperança.
    O amor é uma criança.
    E o mesmo diante da hora fatal
    o amor
    me dará forças
    pro grito de carnaval,
    pro canto do cisne,
    pra gargalhada final.

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