Pedaços de Fado

Marina Mota

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    Lá p'las ruas da amargura
    Um candeeiro apagado
    Debruça-se com ternura
    Sobre a noite enamorado
    Despe seu manto de lua
    Pra que a noite fique nua
    Por um porão ritual marcado
    Pedaços de fado
    Pedaços de fado

    Daquela velha traineira
    Só resta um casco enrugado
    Ali sem eira nem beira
    Na areia abandonado
    Sempre que há lua cheia
    Há quem ouça uma sereia
    Num cântico amargurado
    Pedaços de fado
    Pedaços de fado

    Pedaços de fado
    Estilhaços
    Numa viela que insiste
    E resiste
    Caindo aos pedaços
    Pedaços de fado
    Pedaços de fado

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    Pedaços de fado
    Dispersos
    Restos de fados e história
    Memória
    De vozes de versos
    Pedaços de fado
    Pedaços de fado

    Uma guitarra esquecida
    No sótão dum ferro velho
    Ao deitar contas à vida
    Num soluço que é trinado
    Recorda acordes antigos
    Braços de amantes de amigos
    Que a abraçaram no passado
    Pedaços de fado
    Pedaços de fado

    Pedaços de fado
    Estilhaços
    Numa viela que insiste
    E resiste
    Caindo aos pedaços
    Pedaços de fado
    Pedaços de fado

    Pedaços de fado
    Dispersos
    Restos de fados e história
    Memória
    De vozes de versos
    Pedaços de fado
    Pedaços de fado

    Pedaços de fado
    Dispersos
    Restos de fados e história
    Memória
    De vozes de versos
    Pedaços de fado
    Pedaços de fado

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