Do coração
Mário Brandes
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A vida com toda sua aspereza
Eu tenho certeza, não foi capaz
De ensinar meu coração
A não sonhar
Nenhuma novela, nem mesmo o cinema
Com todas suas cenas puderam sonhar
Com o que meu coração
Se pôe a imaginar
Até os poemas feitos em noites pequenas,
não conseguem expressar
O que o meu coração
Insiste em arquitetar.
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Como um louco Quixote meu coração
Enfrenta os moinhos da razão
Que teimam em se apresentar
Como terríveis gigantes
Que querem amedrontar meu coração
E dizem "pare de sonhar".
Mas sempre é inútil
Pois ele está distraído o suficiente
Para escutar.