Fado dos azulejos

Martinho de Assunção

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    Azulejos da cidade,
    numa parede ou num banco,
    são ladrilhas da saudade
    vestida de azul e branco.

    Bocados da minha vida,
    todos vidrados de mágoa,
    azulejos, despedida
    dos meus olhos, rasos de água.

    À flor dum azulejo, uma menina;
    do outro, um cão que ladra e um pastor.
    Ai, moldura pequenina,
    que és a banda desenhada
    nas paredes do amor.

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    Azulejos desbotados
    por quanto viram chorar.
    Azulejos tão cansados
    por quantos vira m passar.

    Podem dizer-vos que não,
    podem querer-vos maltratar:
    de dentro do coração
    ninguém vos pode arrancar.

    À flor dum azulejo, um passarinho,
    um cravo e um cavalo de brincar;
    um coração com um espinho,
    uma flor de azevinho
    e uma cor azul luar.

    À flor do azulejo, a cor do Tejo
    e um barco antigo, ainda por largar.
    Distância que já não vejo,
    e enche Lisboa de infância,
    e enche Lisboa de mar.

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