É tempo de festa

Matias e os Veteranos

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    Um galo cinzento floreia a garganta
    Repontando o pampa num dia bem lindo
    Levanta o ginete num rancho de lona
    Aquenta a cambona e prepara seu pingo
    É tempo de festa, te acorda Rio Grande
    Gorjeia o João Grande no altar do capão
    Na busca do gado, o peão vai cantando
    E a gente chegando de todo rincão
    Rodeio nativo, rodeio bonito
    É pago bendito, é campo e galpão
    Na voz da cordeona, no laço que puxa
    A história gaúcha rebrota do chão

    Quem abre os festejos de corda na mão
    É o nosso patrão, um índio buenacho
    Tem missa campeira, tem doma, tem dança
    Tem velho e criança pra cima e pra baixo
    Golpeando um apura o xirú caseiro
    Prepara o potiero com gosto e capricho
    A rodo de mate que andeja sem pressa
    Antigas promessas renovam cambichos

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    Na boca da noite um baile crinudo
    Saias de veludo, botas de garrão
    Os sonhos e lutas de um pago crioulo
    Se embalam no solo de gaita e violão
    Termina o fandango, termina a festança
    Mas fica a esperança no fim do floreio
    E esta saudade no peito tapera
    Só dure a espera de um novo rodeio

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