No Templo da Morte - Marta (Espírito)

Maurício Gringo

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    O templo da morte tem portas incontáveis
    Como incontáveis são as almas humanas
    E infinitos seus estados de consciência

    Pela porta escura do remorso
    Um dia penetrou os seus umbrais
    Uma alma que regressava da Terra
    Lá dentro
    Em nome do Senhor de todos os latifúndios do Universo
    Pontificava o Anjo da Justiça

    Anjo Bom! – disse-lhe a alma súplice
    Eu tenho a minh'alma coberta de feridas cancerosas!
    Cura-me as chagas purulentas do remorso
    Tenho os meus olhos vendados
    E uma treva incomensurável na consciência!
    Apaga os meus atrozes padeceres!

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    Filha – respondeu compassivo
    Para sanar tão estranhas feridas
    Tão amargos pesares
    Só há um recurso
    Volta à Terra!

    Lá existe o Regato das Lágrimas
    Banha-te nas suas águas cristalinas
    Elas serão o teu bálsamo consolador
    E curarão a tua cegueira
    Estás na escuridão absoluta
    Pela ausência da luz, do bem na tua alma!

    Mas o Anjo da Dor irá contigo
    Ele há de te guiar através das sirtes
    Do mar encapelado dos sofrimentos
    E te conduzirá ao lugar bendito
    Onde existem as lágrimas salvadoras!

    E a pobre regressou
    Conduzida pela Dor
    Banhou-se na água lustral dos tormentos
    Submergiu-se no regato encantado
    De cuja fonte límpida promana a Salvação

    E depois de haver percorrido
    Tão tortuosos caminhos
    Inçados de perigos
    E de dores amargas
    Reconheceu o luminoso Anjo da Dor
    E nos seus braços magnânimos e compassivos
    Penetrou no templo misterioso da morte
    Pela porta maravilhosa da Redenção

    Song details

    Composition: Mauricio Gringo

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