Não Me Incommodity

Mauricio Pereira

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    Imagina
    No fundo do fundo de um monte de soja
    De mil toneladas no fundo do fundo
    Um singelo segredo, uma simples miragem
    O porão do navio, outra parte do mundo

    Imagina
    Uma coisa com peso de pluma
    Um canto perdido dum trem de minério
    Um acaso, uma história, lógica alguma
    Um brinquedo quebrado
    Um pequeno mistério

    Imagina
    Que entre os milhões de barris de petróleo
    Estocados no Iraque, Istambul ou Vitória
    Esteja lá invisível, miúda, esquecida
    Uma mínima imagem de nossa senhora

    Imagina
    Que agora agorinha lá em Hong Kong
    Tem um estivador que num clique, um rompante
    E sem ter a menor explicação do motivo
    Mete a mão numa lata de fertilizante

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    Imagina
    Nigéria, Dubai ou Osaka
    O obreiro recolhe na mão a santinha
    Que estranha energia essa imagem carrega
    Amuleto, chaveiro, lembrança, mandinga

    Imagina
    Você tá vendo televisão
    Navegando invisível pela economia
    Pro jornal a notícia tá ali numa foto
    Essa mínima imagem da ave Maria

    Imagina
    Você tá de frente pra a imagem
    E se entrega pra ela com adoração
    De repente a figura sagrada te chama
    A commodity é a santa, o sagrado é o feijão

    Não se incommodity
    (Varejo, granel)
    Não me incommodity
    (O inferno e o céu)
    Não se incommodity
    (Desejo, pastel)
    Não me incommodity
    (Garganta e pincel)

    Não se incommodity
    (Passagem e hotel)
    Não me incommodity
    (Babuska e babel)
    Não se incommodity
    (Muito bem, very well)
    Não me incommodity
    (Vou passar o chapéu)

    Información de la canción

    Composición: Mauricio Pereira y Edson Natale

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