Onde Eu Pertenço

Mc Gaivota

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    Depois de me aceitar, tomei a decisão
    Saí da casa do meu pai com medo da reação
    Dos vizinhos maldosos, línguas afiadas
    Queria poupar meu velho das histórias inventadas
    Além de aceitar quem eu sou
    Ele teria que ouvir piadas de quem nunca me amou
    Então decidi partir
    Sem olhar pra trás

    Você nem imagina como é
    Pra um jovem gay sair da casa dos pais
    Muitos são expulsos
    Tratados como animais

    Relatos que eu carrego comigo
    Fui embora pra me salvar
    Eu me sentia intruso no meu próprio lar
    Dizem que sou promíscuo, fora da linha
    Mas eu só queria viver a minha vida

    Estou no ônibus, olhando a janela
    Por um instante penso em puxar a corda amarela
    Desistir de voltar pra aquele lugar
    Mas meu pai eu preciso visitar
    Mesmo que doa, mesmo que eu queira parar
    Eu vou vê-lo
    Mesmo sem querer voltar pra lá

    Coração acelerado, enfrentando o passado
    Por amor ao meu pai, eu encaro o passado
    Volto ao bairro onde calei tantos pesadelos
    Revisito a dor
    Voltando no tempo

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    Cada visita é uma batalha mental
    Memórias ruins, um peso emocional
    Eu torcia pra ninguém me ver chegar
    Não queria cruzar com quem me fez chorar

    Me puniam pela minha sexualidade desde a infância
    Hoje sou livre, mas a dor ainda é constância
    Falavam absurdos sobre mim sem pensar
    Que um dia eu iria me libertar

    As notícias sempre me faziam lembrar
    Jovens expulsos por serem quem são
    A casa virou pressão
    Tive que sair pra recomeçar
    E mesmo livre, às vezes dói olhar pra trás

    E tudo volta na minha mente
    O medo, o silêncio, o ambiente
    Eu estou a caminho daquele lugar
    Que um dia eu saí
    Sem nunca mais querer voltar

    Coração acelerado, enfrentando o passado (o passado)
    Por amor ao meu pai, eu encaro o passado
    Volto ao bairro onde calei tantos pesadelos
    Revisito a dor
    Voltando no tempo

    Olho pela janela, meu coração dispara
    Cada visita é um teste, mas hoje quem manda sou eu
    Lembro do jovem que saiu dali anos atrás
    Cheio de medo do que o futuro traria

    Saí com a promessa no peito
    De nunca mais aceitar aquelas falas
    Nunca mais ser diminuído
    E pra todos eles eu só digo
    Fodam-se, mal-amados

    Coração acelerado, enfrentando o passado
    Por amor ao meu pai, eu encaro o passado (encaro o passado)
    Volto ali, revisito a dor
    Mas é no meu novo lar que eu sei quem eu sou

    Aceitação é a chave, eu enfrento o temor
    Coração valente, guiado pelo amor
    Eu volto pra ver meu pai
    Mas sei onde pertenço
    No meu novo lar
    É onde eu pertenço

    Información de la canción

    Composición: Bruno de Oliveira Lima

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