Samba do Absurdo

Mel Nascimento

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    Vê lá lua nova no oitão
    Cá pelo terreiro o derradeiro
    Samba de exaltação
    Adeus negra flor da canção
    Ferido idioma triste redoma
    Da nova apartação

    Sentado na mesa de um bar
    Parado e mudo no mundo absurdo
    Sem poder compreender por que tudo mudou
    Alguém se coloca a chorar mas podia rir gargalhar
    O que é direito é vil o que é mal é gentil é de enlouquecer
    O negócio é beber e sair - se dali e dormir sem sonhar

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    Canto vão, meu canto é vão
    Meu canto é antigo e vão
    É dos que vão longe dessa multidão
    Gritando não (gritando que não)

    Pela cidade vulgar
    Vejo aparecer o luar sem paixão
    Do samba sem amor
    Do fim da tradição

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