MINHA INFÂNCIA

Messias Colliver

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    Olha só o que eu vi, na moral!

    Caçula no lar, vi o amor e a quebrada
    A fé do altar, que foi logo desviada
    O pai de duas faces, o dia e a escuridão
    A cura não veio com ódio, veio com perdão
    Eu sou a prova viva, da promessa na ferida
    Do trauma que virou testemunho pra minha vida!

    Yeah, eu sou o último da fila, o olhar mais atento
    Entre três irmãos, absorvendo o sofrimento
    Meu lar era a igreja, o caminho era a luz
    Meu pai de terno e bíblia, carregando a cruz
    O ponto era inocente, bolo, guaraná, suco
    O erro é gradual, o ataque do astuto
    A bebida veio e o bar tomou a frente
    O homem de Deus desviou e ficou doente
    A noite caía, o terror ganhava a cena
    A sinuca e o álcool, a dor que nos condena
    Ele bêbado, era um lobo, pronto pro ataque
    Aos quatro, eu entendi o que é o pavor
    Onde deveria haver paz, só havia dor
    O contraste me feria, a mente em confusão
    Ele só era bom fora da perdição
    Tentava matar a mãe, não havia come back

    Caçula no lar, vi o amor e a quebrada
    A fé do altar, que foi logo desviada
    O pai de duas faces, o dia e a escuridão
    A cura não veio com ódio, veio com perdão
    Eu sou a prova viva, da promessa na ferida
    Do trauma que virou testemunho pra minha vida!

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    Saímos de casa, a rua era o destino
    A casa da vó, o novo hino
    O tempo passava, a raiva era a bandeira
    Eu queria vingança, na primeira maneira
    Mas o ódio não vinha, a vingança era em vão
    Meu coração não aceitava a mágoa no refrão
    Ele era o meu pai, o elo não se quebra
    Mesmo na embriaguez, a chama não se cebra
    Não era prova, eu entendi depois de velho
    Ninguém merece o caos, o medo, o joelho
    No chão, pedindo paz, o livramento final
    A vida é o campo, a luta é real
    Meu velho voltou à fé, parou com o vício, irmão
    A morte o levou, mas levou com perdão
    O dia dos pais era sagrado, o laço era mantido
    O respeito acima da dor, o ciclo é cumprido

    Caçula no lar, vi o amor e a quebrada
    A fé do altar, que foi logo desviada
    O pai de duas faces, o dia e a escuridão
    A cura não veio com ódio, veio com perdão
    Eu sou a prova viva, da promessa na ferida
    Do trauma que virou testemunho pra minha vida!

    A cura não foi humana, não foi o divã
    O Espírito Santo me fez ir além, irmã
    Ele limpou a ferida, cicatrizou o vazio
    A dor de ontem, me ensinou a ser navio
    Pra quem tá afundando, com o pai, com o trauma
    Eu tenho o testemunho, o peso da alma
    Se eu não tivesse a história, o livro que escrevi
    Eu não entendia a dor, que meu irmão sentiu
    Sem mapa paterno, eu me fiz o meu caminho
    Hoje eu sou pai, carinhoso, sozinho
    Aprendi com o mestre, o amor de verdade
    Sou esposo, sou forte, sem dualidade
    Vaso útil na obra, o flow que glorifica
    Minha vida é a prova, de que o pai edifica
    A dor virou arma, pra glória do senhor
    Eu sou a nova história, eu sou o vencedor!

    Caçula no lar, vi o amor e a quebrada
    A fé do altar, que foi logo desviada
    O pai de duas faces, o dia e a escuridão
    A cura não veio com ódio, veio com perdão
    Eu sou a prova viva, da promessa na ferida
    Do trauma que virou testemunho pra minha vida!

    Hoje eu entendo que Deus transformou minha dor em cura
    Minhas memórias não foram apagadas
    Porque ele sabia que vidas seriam alcançadas
    Como eu poderia entender a dor
    Alguém se eu mesmo não tivesse passado pelo processo?
    Glória a Deus por tudo
    Ele é bom

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    Composition: Messias Colliver

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