Timbre de Galo

Miguel & Mattheus

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    Rio Grande, berro de touro
    Quatro patas de cavalo
    Quem não viveu este tempo
    Vive esse tempo a cantá-lo
    E eu canto porque me agrada
    Neste meu timbre de galo

    É verdade que alguns dizem
    Que os tempos de hoje são outros
    Que o campo é quase a cidade
    E os chiripás estão rotos
    Que as esporas silenciaram
    Na carne morta dos potros

    Cada um diz o que pensa
    Isso aprendi de infância
    Mas nunca esqueça o herege
    Que as cidades de importância
    Se ergueram nos alicerces
    Dos fortins e das estâncias

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    Não esqueça, de outra parte
    Para honrar a descendência
    Que tudo aquilo que muda
    Muda só nas aparências
    E até num bronze de praça
    Vive a raiz da querência

    Eu nasci no tempo errado
    Ou andei muito depressa
    Dei ó de casa em tapera
    Fiquei devendo promessa
    Mas se pudesse eu voltava
    Pra onde o Rio Grande começa

    E se me chamam de grosso
    Nem me bate a passarinha
    A argila do mundo novo não
    Tem a mescla da minha
    Sovada a cascos de touro
    Com águas de carquejinha

    Rio Grande, berro de touro
    Quatro patas de cavalo!
    Quem não viveu esse tempo
    Vive esse tempo ao cantá-lo
    E eu canto porque me agrada
    Neste meu timbre de galo

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