Vocês olham a vitrine e acham que podem comprar
Pintaram meu rosto, mas esqueceram de me perguntar
Eu sou a peça que falta no seu tabuleiro de luxo
Mas meu silêncio é o pavio de um canhão de cartucho
Não sou mármore frio, eu queimo por dentro
Sou o caos disfarçado de um monumento
Apertem os nós, vigiem meus passos
Contem meus erros, preparem os laços
Vocês querem a santa, a boneca, a perfeição
Mas esqueceram que flores também apodrecem no chão
Como uma flor, eu sou bela e cheirosa
Mas meu espinho te rasga, eu sou perigosa
Como o mel, eu sou linda, doce e deliciosa
Mas meu veneno te mata, essa é a minha glória
Não me subestime pelo que você vê
Você não tem ideia do que eu posso fazer
Eu não sou só uma estrela, eu sou o impacto
Quebrarei o seu mundo e rasgarei o contrato
Engulam o padrão que vocês mesmos criaram
Vejam a estátua que vocês tanto adoraram
Ela tem dentes, ela tem garras, ela tem vida
E a sua perfeição agora é uma ferida
Eu não sou um objeto, eu sou a tempestade
Vestida de seda, cuspindo a verdade
O chumbo derrete
O mel amarga
A flor vira espinho
E o seu reino desaba