Minha pupila parou de ser escrava do brilho
Voltei a enxergar além desse trilho
O vidro quebrou e o foco mudou
A cegueira de pixels enfim se apagou
Olhei pra cima e vi o mundo respirar
Uma vida inteira que eu esqueci de habitar
É como se estivesse aprendendo a andar
Sem o peso do mundo pra me segurar
Parou a angústia, parou a obsessão
Soltei as amarras da palma da mão
Não tem mais roteiro, não tem mais bio
Eu sinto calor onde antes era frio
Eu recuperei tudo que o vício roubou
O que a página nunca enxergou
Não sou resumida a um aplicativo
Eu sou movimento, eu sou o que é vivo
Não sou só um perfil, não sou sua invenção
Sou a vida que pulsa fora da sua mão
Agora eu quero beber cada gota do real
Longe da estética do artificial
O toque, o cheiro, o som do momento
Vencendo o cansaço do meu isolamento
Algoritmo não pode mais me ler
Eu sou o mistério que eu escolho ser
Finalmente essa antena desconectou
O sinal se perdeu, mas o meu eu ficou
Posso até usar de novo, mas o vício não voltou
A corrente invisível enfim se quebrou
Minha antena está livre
Quando a bateria acabou
A minha história começou