João de Santo Cristo

Murisko

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    Desde que nos deram uniformes
    E tiraram nossos nomes
    Aquecemos nossos pratos
    Esquecemos nossa fome
    Procuramos afeto
    Ofereçam-nos sucesso
    E a conduta no anonimato
    É o que difere homem de quem só nasceu com saco

    Queira cantar o que eu vivo
    Mas nunca vivi de fato
    Crio dez universos
    Em dez segundos de intervalo
    É que eu sou ansioso, poético
    Neurótico, Copérnico
    Amante das estrelas, não horóscopos
    Líderes: Hagiólogas, malévolas
    Um milhão de léguas são subidas infinitas
    Légolas, bom de pontaria, maligno
    Lágrimas em troca dessas libra
    Na terra dos anticristos
    Eu sou João de Santo-Cristo
    E todo mundo é Jeremias
    Normalidade, anomalias
    Vi que belas palavras perdem pra caligrafia
    Fronteira que nos separa vai além de geografia

    Meus dentes, meio Low Profile
    Não se mostram pra essa gente
    Sempre que eu sorrio me pergunto se eu tô doente
    Cerimônia, seminário, medalhas
    Simone Biles, essas garotas seminuas
    Simulam, mas não sentem

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    E saberão que eu sou o senhor
    Quando tiver exercido a minha vingança contra eles

    São tempos de delírio, alívio, desejo
    Mundo radioativo, pessoas de césio pelos becos
    Mantenha-se ativo, a nível, aceso
    O que for retroativo a gente cobra por primeiro
    Um jovem com atitude
    Na latitude certa faz dinheiro
    Na altitude onde moram os gênios
    O ar é rarefeito e sufoca
    É aqui que cê aprende a fazer fogo
    Sem usar oxigênio

    Eu falo a língua do silêncio e do soluço
    A língua de quem vai queimar sua língua
    Do surdo, da ira
    A língua praticada sobre entulhos
    Que fala sobre tudo, entende todo mundo
    Mas não se entendeu ainda
    Se bem que o fim é cômico
    Tipo que eu tinha ânimo, hoje tenho anemia
    Não é nada muito crônico
    São só crises de pânico e na economia
    Eu gostei dessa disputa, quem volta primeiro às cinzas

    Meus dentes, meio Low Profile
    Não se mostram pra essa gente
    Sempre que eu sorrio me pergunto se eu tô doente
    Cerimônia, seminário, medalhas
    Simone Biles, essas garotas seminuas
    Simulam, mas não sentem

    Olha, eu vejo dizendo isso há anos, e se já ouviu, é porque eu ia matá-lo
    Eu nunca liguei muito para o que ela dizia
    Eu achava que eram apenas palavras vazias
    Para dizer à um filha da mãe antes de eu meter uma bala nele
    Mas uma coisa essa manhã me fez pensar duas vezes

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