Saber Ceder

Nega de Skema

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    Cada vida são muitos dias
    Dias depois de outros dias
    Cruzo ruas, cruzo rostos
    Ladrões, fantasmas, ironias

    Gigantes feitos de medo
    Velhos sonhos sem voz
    Mestres falam de futuro
    Aprendizes somos nós

    E no meio desse trânsito
    Entre o erro e a razão
    Quanto mais o tempo passa
    Mais eu passo a ser pluma, não pedra na mão

    Aprendi a largar o peso
    Que não me deixa avançar
    Ressentimento não constrói
    Mágoa não sabe ficar

    Descanso em lugares simples
    Onde o silêncio é abrigo
    O que não soma no caminho
    Eu deixo longe, não levo comigo

    Não é o olhar que eu venero
    É aquilo que ele alcança
    Não é o pensar que me guia
    É o sentir que me balança

    Entendi que o mundo não gira
    Pra me ferir de propósito
    Ninguém tá contra mim
    Todo mundo é a favor de si próprio

    É tolerância, é saber ceder
    Sem se perder, sem se vender
    É tolerância pra continuar
    Flexível no passo, inteiro no caminhar

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    É tolerância pra suportar
    O peso do mundo sem endurecer
    É tolerância pra entender
    Que viver é ajustar sem se romper

    Não cultivo expectativa
    Nem promessa que não vem
    Atitude insensata hoje
    Já não me espanta também

    Queriam bom senso no mundo
    Como regra universal
    Mas todo mundo garante
    Que já tem o seu ideal

    Somos donos do que fazemos
    Do que evitamos fazer
    E do que barramos no outro
    Por medo de acontecer

    Experiência não ensina
    Se a mente não reflete
    É no erro observado
    Que a consciência cresce

    Tem quem não pôde quando era hora
    Porque não quis quando podia
    A oportunidade passa
    Mas deixa rastro todo dia

    Todos temos nossas faltas
    Algumas dadas, outras criadas
    Fraqueza também é escolha
    Quando é sempre alimentada

    É tolerância, é saber ceder
    Sem se perder, sem se vender
    É tolerância pra continuar
    Flexível no passo, inteiro no caminhar

    É tolerância pra suportar
    O peso do mundo sem endurecer
    É tolerância pra entender
    Que viver é ajustar sem se romper

    O mundo muda o tempo inteiro
    E exige adaptação
    Mas rever valor não é perder
    É reafirmar convicção

    Flexível no movimento
    Vigilante na intenção
    Quem não se policia por dentro
    Se perde fácil na multidão

    Tolerância não é calar
    Nem aceitar qualquer direção
    Tolerância é sustentar
    A própria ética em mutação

    Tolerância é resistir
    Sem virar pedra, sem virar pó
    Tolerância é existir
    Inteiro em si, mesmo só

    Información de la canción

    Composición: Valdenir Santos

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