Mãos Abençoadas

Nenito Sarturi

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    Vejam a velhita, sob o humilde teto
    Cabelos brancos, o dorso corcundo
    Desfia nos dedos as dúzias de netos
    Que ajudou, paciente, a vislumbrar o mundo.

    Nos passes de lua, co'a petiça atada
    E os apetrechos todos preparados
    A velha parteira dormia fardada
    Não tinha hora pra atender chamados.

    Parteira velha de mãos abençoadas
    Esteio de vida para a vizinhança
    Curtida de tempo, de sol e de geadas
    Anciã na idade, alma de criança
    Partejando filhos pelas madrugadas
    Deste luz a sonhos prenhes de esperança.

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    A Tia Taíma, que mal vira a roda
    Pode inventar moda dia mesnos dia
    A filha da Joana é nesta semana
    Se pela de medo - é a primeira cria

    Tesoura afiada, água na gamela
    Um pouco de azeite, tramela no quarto
    Galinha cevada da perna amarela
    Pra um caldo bem forte, logo após o parto.

    Empreitada feita, passava a receita
    Pra negacear o mal de sete dias:
    Muito cuidado até cair o umbigo
    Pra dor de barriga, chá de massania

    Quanto recuerdo dos sábios conselhos
    Do chá de jujo e purgante de sena...
    Não apanhe vento nem em pensamento
    E não lave a cabeça toda quarentena.

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    Composition: Nenito, Antonio Gringo, and Sadi Machado

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