Luzes correm pela avenida
O vidro embaça, a mente duvida
Cidade acesa, coração em modo avião
Tanto barulho e ainda sinto solidão
Letreiros piscam, prometem salvação
Mas cada esquina esconde outra versão
Relógio corre e o meu tempo em suspensão
Eu me procuro em cada reflexo no portão
Rostos passam, sem direção
Ninguém percebe esse apagão
Se tudo gira e eu fico em câmera lenta
Talvez a fuga seja a única ferramenta
Quero um horizonte de neon
Onde o futuro não pareça um furacão
Só mais um passo fora da estação
Pra ver se a noite ilumina o meu chão
Olho pro teto, vejo mapas invisíveis
Rotas que traço pra fugir do impossível
Mensagem chega, mas não diz o essencial
A gente finge que esse vazio é normal
Fones no ouvido, eu desligo a confusão
Sintetizadores embalando a contradição
Tanta conexão, pouca comunicação
Um mar de gente e pouca imersão
Se tudo gira e eu fico em câmera lenta
Talvez a cura seja encarar a tormenta
Quero um horizonte de neon
Onde o futuro não pareça um furacão
Só mais um passo fora da estação
Pra ver se a noite ilumina o meu chão
Talvez o brilho esteja aqui dentro
Escondido atrás do desencanto
Talvez o caos seja só o centro
De um novo começo em cada tanto
Nesse horizonte de neon
Eu reinvento o meu próprio tom
Deixo pra trás o velho padrão
E faço da dúvida a minha canção