Antes da palavra Um silêncio que chama Um violão que tateia A madrugada Como quem procura Na corda mais profunda Um nome antigo Que ainda não se cala Vem manso o som, quase segredo Feito saudade que aprende a ficar E no intervalo entre um acorde e outro O amor ensaia o jeito de chegar O amor não é concordar com tudo Nem rir das mesmas graças no bar Não é só dividir o gosto e o passo Nem se perder no outro sem se achar O amor é meio de lado, silêncio Um acordo sem precisar se explicar É ceder sem perder o próprio rumo É no outro também se guardar Não é conta certa Não fecha no papel É feito vento leve Que não se vê no céu Não é linha reta, é curva mansa É ficar quando o mundo quer levar Dois desafinados, sem cobrança Aprendendo o tempo de escutar E no tropeço, nasce a dança No desencontro, um novo lugar É pouco a pouco, é esperança É se ouvir, e se somar Tem dia em que a palavra pesa Tem noite que não quer passar Mas quem aprende o amor na mesa Não vai embora sem tentar E quando o orgulho grita alto E o coração quer se fechar O amor desarma o sobressalto Faz dois caminhos se encontrar Não é linha reta, é curva mansa É ficar quando o mundo quer levar Dois desafinados, sem cobrança Aprendendo o tempo de escutar E no tropeço, nasce a dança No desencontro, um novo lugar É pouco a pouco, é esperança É se ouvir, e se somar E quando a canção já pede silêncio E a noite repousa no olhar Fica um amor, simples e inteiro Sem precisar dizer que vai se eternizar