O Tempo
Newton Jayme
O tempo não caminha
Respira devagar
Feito um segredo antigo
Aprendendo a se revelar
Às vezes é pássaro
Cruzando a imensidão
Atravessa galáxias
Com estrelas nas mãos
Às vezes é pedra imóvel
Na memória das montanhas
Guardando luas perdidas
Nas profundezas da criação
Para a ciência
Ele inclina seu clarão
Ao peso dos cometas
Na curva da amplidão
Encolhe-se na velocidade
Dos sonhos pelo ar
E alonga-se infinito
Onde o céu quer repousar
Não existe um só relógio
Marcando o universo inteiro
Cada alma leva o seu
Como um desejo verdadeiro
Um pequeno cosmos pulsa
Silencioso dentro em nós
E o tempo escreve canções
Com a luz da nossa voz
O passado não morreu
Vive na tua saudade
Feito um barco de lembranças
Navegando pela rua
O futuro não nasceu
Mas aguarda por você
Como o campo espera a chuva
Para enfim florescer
E o presente
Essa pequena centelha
Um quarto de portas abertas
É o instante em que a eternidade
Na matéria se espelha
É o lugar onde teu corpo
Vem me reconhecer
E a imensidão
Por um segundo
Aprende a nos conter
Não existe um só relógio
Marcando o universo inteiro
Cada alma leva o seu
Como um desejo verdadeiro
Um pequeno cosmos pulsa
Silencioso dentro em nós
E o tempo escreve canções
Com a luz da nossa voz
Talvez o tempo seja apenas
A poesia do existir
Que o universo vai compondo
Sem jamais se repetir
Traço por traço
Nuvem por nuvem
Beijo por beijo
Abraço por abraço
Amor em aquarela
Linha por linha
Estrela por estrela
Teu nome iluminando
A noite mais bela
Não existe um só relógio
Marcando o universo inteiro
Cada alma leva o seu
Como um desejo verdadeiro
E enquanto o tempo respira
Entre o céu e o coração
Eu descubro o infinito
Na palma da tua mão
Beijo por beijo
Amor por amor
O universo escreve
A canção que nos compôs
Traço por traço
Estrela por estrela
Beijo por beijo
Abraço por abraço
Amor em aquarela
Até o fim
Você em mim
Eu em você
Eu em você
Você em mim
Debaixo do Sol
Duas almas a namorar