Sem Volta (part. Eros021, Tavarette & GeeGee)
Nicius
Vento de lástima, minha reclamação ainda é lágrima
Sólida ou líquida, deságua
Muito homem nas calças, menino tá crescido batam palmas
Em metas que tonteiam suas causas
Tira a arma, mira o alvo, o gatilho só te entende se tá calmo
A foda que tua janta vai pro ralo
Respire, só escute o que eu te falo, eu cantei do mesmo salmo
E me jurei que dessa vez ia sair salvo
Eu oro pelo rei dos judeus usando a cruz no peito
Rezando por mães palestinas e um beco estreito
Sei que o mundo não se move se eu pedir direito
Mas olho na perspectiva de um copo cheio
E no vazio é que eu penso como quem tem medo
E é por isso que eu só vibro quando acerta o meio
Joguei moedas nessa fonte e eu nem fiz desejo
É tipo vício de fumaça que não vai tão cedo
Errei, ah como errei
E o mundo dá voltas
Mesmo que não há voltas
Eu vou tentar
Meu destino são minhas escolhas, sem brincadeira
Não passo pano, se achou que eu tava brincando, foda-se essa merda
Sem número de série, agora eu tô em outro CEP
O meu sonho de moleque ainda sobrevive à vera
E eu ando pelas ruas como o mais foda do meu lado
Nenhum desses otário é páreo, muito menos peita
Fico bem de laranja porque eu sou um nego raro
E mesmo que insistam não podem tocar onde brilha
E tudo que eu faço é pela família, a não ser quando é por mim
Eu mantenho os meus pés na trilha, o sangue pinga, eu me pergunto qual o próximo passo
É pouco papo, sustento o peso pra aguentar o placo
E eu carrego a mesma fé que o Deus do amor
Ainda acredito que possa mudar
Mas na noite passada eu vi a cor que as balas deixam se algumas delas te acertar
E eu juro meu velho, não guardei rancor, só queria saber como você tá
Porque eu vi que um brilho pode apagar
Mas graças a Deus não foi comigo não
Graças a eu mesmo não foi comigo não
E eu jurei pra mim que sabia o caminho
Mas vez ou outra eu me pego andando perdido
Tipo um estranho no próprio ninho, mas é tranquilo
O que vem do medo eu não assimilo
Mas o coração grita quando vê o vazio
Por isso o trem é blindado
Faço o próprio trilho
E no corre da janta ou pra me sentir vivo
Ainda ponho o dedo no gatilho
Errei, ah como errei
E o mundo dá voltas
Mesmo que não há voltas
Eu vou tentar