Tem gente nova rindo perto
E eu tentando acompanhar
Descubro nomes, guardo rostos
Mas ainda esqueço de olhar
Aceito um café, uma conversa
Sem prometer o coração
Quem já juntou os próprios cacos
Não se entrega de uma vez, não
Não é medo de conhecer alguém
É medo de esquecer quem fui
Porque algumas cicatrizes
Ainda respondem antes de mim
Tudo parece fora do lugar
Como um retrato fora da parede
Eu volto a andar entre as pessoas
Mas meu peito demora a chegar
Se a confiança aprende de novo
Ela caminha devagar
Porque ninguém atravessa um inverno
Sem estranhar o Sol voltar
Às vezes rio sem pensar
E estranho o som da minha voz
Como se a felicidade pedisse
Desculpas por chegar depois
Não quero prender o amanhã
Nem adivinhar o que virá
Hoje eu só deixo a porta aberta
Pra ver quem escolhe entrar
Tudo parece fora do lugar
Como um retrato fora da parede
Eu volto a andar entre as pessoas
Mas meu peito demora a chegar
Se a confiança aprende de novo
Ela caminha devagar
Porque ninguém atravessa um inverno
Sem estranhar o Sol voltar
Não preciso apagar o passado
Também não preciso voltar
O que ficou faz parte de mim
Mas não decide onde vou chegar
Tudo parece fora do lugar
Mas fui eu quem mudou primeiro
Passei tanto tempo sobrevivendo
Que esqueci do mundo inteiro
Se a confiança aprende de novo
Eu também posso recomeçar
A dor continua comigo
Mas não decide mais por mim