Querência

Noel Guarany

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    Querência rincão querido do bochincho e do fandango
    Da boleadeira e do mango da coxilha e da canhada
    Querência verde orvalhada dos ventos que se adelgaçam
    Repetindo quando passam já fui tudo e não sou nada
    Rincão de flor colorada no topete das morenas
    Do tilinar das chinelas e do meu umbu triste sozinho
    De onde um bem te vi do ninho nas alvoradas serenas
    Desfiam sem fim as penas na evocação de um carinho

    Querência do cusco amigo, nobre guapo companheiro
    Do balcão do bolicheiro da China linda e do trago
    Do paizano que anda vago sem parador nem querência
    E vai curtindo na ausência recuerdos de algum afago
    Querência do mate amargo sevado em fogão tropeiro
    Do redomão caborteiro que num upa-upa corcoveia
    Da cruz corcomida e feia entre moitas de erva rala
    Que tristemente assinala vestígios de uma peleia

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    Querência do carreteiro sempre a cruzar a tranquito
    Na sina de andar solito junto a carreta que passa
    Como duende que esvoaça levando para o infinito
    O fardo santo e bendito dos atavismos da raça
    Querência de mil guitarras que pátria adentro se espalha
    Do velho rancho de palha abandonado ao rigor
    E o pavilhão tricolor que foi sinal da batalha
    E hoje serve de mortalha ao gaúcho peleador

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    Composition: Jayme Caetano Braun and Noel Guarany

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