Negro da Gaita

Odair de Paula

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    Mata o silêncio dos mates, a cordeona voz trocada
    E a mão campeira do negro, passeando aveludada
    Nos botões chora segredos, que ele juntou pela estrada

    Quando o negro abre essa gaita
    Abre o livro da sua vida
    Marcado de poeira e pampa
    Em cada nota sentida

    Quando o pai que foi gaiteiro, desta vida se ausentou
    O negro piá solitário, tal como pedra rolou
    E se fez homem proseando, com a gaita que o pai deixou

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    Quando o negro abre essa gaita
    Abre o livro da sua vida
    Marcado de poeira e pampa
    Em cada nota sentida

    E a gaita se fez baú para causos e canções
    Do negro que passa a vida, mastigando solidões
    E vai semeando recuerdos, por estradas e galpões

    Quando o negro abre essa gaita
    Abre o livro da sua vida
    Marcado de poeira e pampa
    Em cada nota sentida

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